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Ouvir “Chove Chuva” nessa voz africana é quase que uma dádiva 💚
Miriam Makeba foi uma cantora e ativista dos direitos humanos anti apartheid. E nesse post nós não sabemos o que vai te emocionar mais: a interpretação de “Chove Chuva”, ou a história de vida dessa mulher.
Zenzile Miriam Makeba nasceu em 1932, filha de uma curandeira, na cidade de Johanesburgo. Com apenas 18 dias de vida, sua mãe foi encarcerada por vender “umqombothi”, uma espécie de cerveja artesanal, o que fez Miriam passar seus primeiros seis meses de vida na prisão.
Aos dezoito anos, teve sua primeira e única filha, Bongi Makeba. Pouco depois do nascimento, Miriam descobriu um câncer de mama, e seu marido, o pai de Bongi, a abandonou.
Miriam começou a fazer sucesso no final dos anos 1960. Ela foi a primeira artista à popularizar a música africana no cenário mundial. Para fazer isso, ela introduzia elementos afro nas composições tradicionais de jazz, num grupo só de mulheres, chamado “The Skylarks”.
Em suas apresentações, Miriam não usava maquiagem nem modificava seu cabelo, evidenciando que a africanidade estava não só na música, mas na performance.
Ficou conhecida ao aparecer no documentário anti-aparthaid “Come Back, Africa”, o que teve um enrome impacto em sua carreira. O mundo passou a amá-la, e com certeza, os Estados Unidos passaram a endeusá-la.
Ela foi convidada para cantar no aniversário do presidente John Kennedy, mas deixou o local logo após a apresentação por não estar se sentindo bem. O presidente insistiu tanto em conhecê-la que mandaram buscá-la de carro no meio da noite só para poder apertar a mão do homem. Ela foi comparada à Ella Fitzgerald e Frank Sinatra. Tudo ia muito bem até que …
… como defensora dos direitos dos negros, Miriam se aproximou do movimento dos Panteras Negras, se casando inclusive com o ativista Stokely Carmichael. Aí o caso de amor com os Estados Unidos acabou: Miriam teve seus contratos musicais e apresentações canceladas, e provocou-se um boicote contra ela.
Em 1991 ela gravou um álbum com Nina Simone, Masekala e Dizzy Gillespie chamado “Eyes on Tomorrow”, combinando jazz, pop, R&B e música afro.
A África do Sul também a renegou: sua cidadania e naturalidade foram revogadas, e ela se tornou uma mulher sem pátria. Em solidariedade, outros países concederam vistos e passaportes, sendo considerada cidadã honorária em 10 países.
Miriam só voltou à África do Sul quando Mandela permitiu que isso ocorresse, não só com ela, mas com todos os exilados que lutavam contra o apartheid. Ela lutou pelo direito do povo negro na música, evocando a tradição e as raízes africanas, e no discurso, palestrando na ONU sobre os crimes contra humanidade que ocorriam na África do Sul separatista.
Miriam Makeba
DRONE DA MONTANHA - CHAPADA DOS VEADEIROS / BRASIL-2015 (via Vimeo)
Os mortos recebem mais flores que os vivos, porque o remorso é mais forte que a gratidão.
A noite é dos poetas
das putas
e dos que morrem de amor.


